Sábado, 3 de Setembro de 2011


artigo em construção




Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

ALGARBIO: Projecto para uma biografia etérea do Algarve

A reconstrução de um corpo nos seus três momentos de unidade.

Matéria
A matéria é apenas energia condensada numa vibração lenta.

Corpo = caixa no qual a alma habita.
KABA enorme cubo negro situado em Meca onde os Muçulmanos num ritual de purificação da alma prestam homenagem ao divino. Murada do divino no plano material.
Fragmentação da ideia de corpo em sequências ordenadas por séries e compassos quaternários para possíveis leituras musicais, biorritmo do corpo.
(uma cor, uma nota de musica ou uma melodia, cada posição um tom diferente na pauta de musica) projecto para ser desenvolvido por um músico…

Consciência.
Através do corpo o sublime actua sobre a matéria.
Peças com texto, reflexões ao acaso do autor relacionadas com o, modelo de padrão cultural e o meio geográfico.
Sequências de tex
tos numerados por medida de quântica neurológica, (um conta-quilómetros que mede os meus pensamento).
No interior de cada corpo existe embora invisível uma imensa realidade, uma substancia não observável fisicamente, que pode ser sentida e vivida ao nível da intuição, das emoções e dos sentimentos.
Somos parte da mesma consciência experimentando-se subjectivamente.
Corpo
O corpo no éter e a sua representação iconoplastica.
O corpo como transporte, a alma como passageira cumpre mais uma vez o seu propósito através de um novo corpo a Arte.

Alexandre Maia (Olhão27;5,1998)




…….…........................................................................…36756382091-Monstruoso o efeito este o da forma:
Parece-se como o homem. O homem é um ``criador´´ de formas, todas elas falsas se não erro, e todas elas inevitáveis uma vez perante o outro.
Mal eu apareça o outro tem-me sou seu prisioneiro enquanto observador, se não lhe impuser a melhor forma capaz de detê-lo este que se precipita já sobre mim munido de um direito que lhe é absoluto, o da sua existência, o das suas taras, ou do imprevisto que ele constitui na sua solidão consciente e lúcida de si mesmo.



...............86752-Ele arrasta manias que o perfazem ou desfazem ou o fazem para nos julgar tantoquanto parece.
Julga-me, eu registo, passo a modificá-lo. Se lhe impuser uma forma que o detenha na sua pessoa, passo a dar-lhe forma definida, que o mimifica e o mistifica como um sujeito alterado numa direcção imponderável.
Surpreendente pode ser a sua modificação.







..…..…................…676345-Se lhe conseguir chamar vagabundo ele poderá rir-se ou então chorar , ou mesmo degradar-se na sua imaginação com a sugestão da minha influência.
Se o empurrar, ele ficará furioso ou colérico ou então extremamente confuso e débil.
Se o cumprimentar, ele poderá imitar-me ou deitar-me mau-olhado ou fingir simplesmente que não reparou em mim. Porque o mesmo pode ele fazer-me, impor-me uma forma, levar-me a ser ou então anular-me.



.................................................................................4107- Diferente de nós ou em evolução estão os Artistas.
No inevitável, como a vida dos povos em sorte gregária, produz-se o marginal.
Foi na mecânica do industrialismo que se produziu originalidade, até esta se confundir na identidade dos seus produtos. A diferença Artística é outra coisa na sua forma. É uma receita sem disciplina que vive perto da origem dos estados conscientes.
Violentos e tristes são os sonhos que nos surgem …Não nos afligem senão em imaginação.
Se os fixar através da minha lente são como espectros de o meu outro mundo.




................................................…..…760048618 – Não parece é substancialmente humano o da labuta final de fixar forma definida. Ao definir-se no seu crescimento na sua subjectividade, na sua impressão eterna, descubro
conceito – chave.
A Arte quer-se inteiramente problemática denunciadora de sistemas.
Através disso aprecio por varias ópticas da consciência, formas de denuncia , a olho nu não. Por essa câmara me forjo como um ensaio `` à la-minute.´´. Não sei nada , não ensaio nada tudo acontece de forma espontânea, ensaio o humano através da linguagem que me articula como ser construído entre o eu e o outro eu.
Do meu ensaio resulta clarificação de uma sociedade que me surpreende e assalta constantemente.

…....................................................................................07075759-vence-se o medo com o terror ou a força.
Não se ganha senão em tréguas na luta universal. Não a piedade mas o terror purga o medo .
A minha compaixão pode ser uma loucura para a maioria dos homens, devo ou não esconde-la dentro da minha razão para não ser julgado, e sofrê-la como espinho na minha carne privada de repouso.
….......…..................87506910- A linguagem tecnicista impõe-se pela competência e a Arte é arrastada a tal…
A linguagem tecnicista é de invenção colectiva, e só atinge propósitos égoicos.
A do verdadeiro artista, na sua essência não provem de qualquer compromisso para com o sistema mas sim da sua liberdade, ela é livre de codificar a forma estável ou instável.
O mais fino dos bons sensos impõe ao artista a sua lei sem a qual se tornaria ridículo, deixaria de saber o que pode ser o prazer de pensar, porque tudo se sente como ideia ( kafka ).Não é seria a Arte como aparência mas como construção da aparência ou forma inventada.


............................................................…76527011- O nosso corpo regista o acontecimento dum outro corpo. Idem o espírito, a memoria e a razão. Se registarmos velharias, seca-se-nos o estilo ficamos uns filósofos!
Não, trata-se apenas de uma selecção de materiais. Não de um pragmático, nem dum critico mas de um apaixonado. Paixão essa de um exagero razoável…
Alucina por figuras que vai formalizando na sua observação, sem perder o contacto com o natural na sua forma.
Reabilita o natural contra o cultural do vizinho. Prega-lhe uma partida. É um egoísta da melhor estirpe que os obriga a ver. Já Hegel distinguia bem que a paixão sem desejo é uma demência que permite raciocinar.
..................................................904965312-Os mecanismos culturais são tão inevitáveis como os económicos.
É um juízo típico de um professor em cada um.
O fidalgo arrivista diz que a Arte é o agradável. O aluno diz que a Arte é publicidade do professor. No entanto, a penúria universal é porem o que nenhum arrisca duvidar. Se duvidássemos suspendíamos de imediato o fornecimento de cultura, de sentimentos mercantis… Uma greve Artística de nível universal é o que se espera por cada catástrofe, se não ocorre é por falta de consciência. Dai o novo, ser a energia inviolável capaz de injustiças e das vitorias súbitas anti tédio.





S I L Ê N C I O

1 9 1 7 - 2 0 0 1

Homenagem ao Jaime o vagabundo por altura de sua morte
Que permaneça em paz no estado mais elevado da nossa existência.


O trabalho constituido por 12 fotografias, que por sua vez, estão montadas em suportes escultoricos de alumínio pulido com dimensões de 20+20+7 cm, Na totalidade a obra tem 58 peças de madeira pintada e coberta com papel no caso das peças com texto.



Obra realizada em 1998 por Alexandre de Maia Cabrita

Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Misthy Morning




somewhere in the railway...
fhotos by alexdemaiacabrita
India 2004

Sábado, 18 de Setembro de 2010

poemografias 1






Fotografia sobre suporte de alumínio
Dimensões 50x70 cada imagem

Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010

Hinduísmo


De entre todas as religiões orientais, o hinduísmo, que compreende grande variedade de elementos díspares, é a de mais difícil apreensão pela mentalidade ocidental. Sua expressão ultrapassa os limites da religião e percorre toda a estrutura social, dos actos comuns da vida diária até a literatura e a arte.Hinduísmo é um termo genérico usado para designar a religião dos hindus, uma das mais antigas do mundo. Baseado nos "princípios eternos" (vaidika dharma) da doutrina dos Vedas (sabedoria divina), é também chamado saratana dharma (religião eterna). O hinduísmo estabeleceu as bases para muitas outras correntes religiosas e filosóficas e passou por várias etapas, desde o hinduísmo védico, bramânico e filosófico, até certos movimentos sectários e reformadores, entre os quais se incluem o budismo e o jainismo, surgidos no século VI a.C. Em sua forma actual, o hinduísmo pode ser visto como terceira fase do bramanismo. Sem um corpo de doutrinas, cultos ou instituições comuns, o hinduísmo abrange uma infinidade de seitas e de variações, monoteístas ou politeístas. O hinduísmo é disseminado na Índia, no Paquistão, em Sri Lanka e Myanmar, e há adeptos dessa religião na África do Sul, Cambodia, Bali, Trinidad e ilhas Fidji.

Hinduísmo védico


Por volta do ano 2000 a.C., os árias estabeleceram-se no Irã e na Índia. Sua herança religiosa consistiu nas divindades dos antepassados. Além de deuses tribais, os indo-europeus veneravam deuses cósmicos: Dyeus ou Dyaus-Pitar (em sânscrito, "deus do céu", correspondente ao grego Zeus-Pater e ao Dies Piter ou Júpiter romano), consorte da "mãe-terra", é o deus supremo, doador da chuva e da fertilidade e pai (mas não criador) dos outros deuses e dos homens. O Sol (svarya), a Lua (mas) e a aurora (em grego, heos) são os deuses da luz. Divindades menores e locais são as árvores, as pedras, os rios e o fogo.A fim de obter a bênção dos deuses, o homem devia satisfazer, no pensamento e na acção, as exigências dos deuses. O ritual foi transformado em princípio moral, sobretudo mais tarde, no zoroastrismo e no budismo. A base da "religião védica", no entanto, já existia entre os árias, antes mesmo de invadirem a Índia. Constituída de princípios optimistas e de amor pela vida, não incluía a ideia de existência após a morte. Os cantos sagrados revelavam uma organização social estável, abundância de alimentos, famílias grandes e sucesso nas guerras. Os cultos, antes uma actividade familiar, tornaram-se com o tempo cada vez mais complexos, com elaborado ritual, confiado a sacerdotes. Desenvolveu-se ainda a ideia de um poder criador: Prajapati (em sânscrito, "Senhor das criaturas"), descrito nos Vedas, depois transformado em Brahma.


Hinduísmo bramânico

A segunda fase do hinduísmo veio com o declínio da antiga religião védica. Brahma (em sânscrito, "absoluto"), um dos deuses da tríade hindu (trimurti), integrada também por Vishnu e Shiva, tornou-se o deus principal. Brahma é a manifestação antropomórfica do brahman, a "alma universal", o ser absoluto e incriado, mais um conceito da totalidade que envolve todas as coisas do que um deus. O cerimonialismo enriqueceu-se notavelmente sob a direcção dos brâmanes (sacerdotes). Os cultos adquiriram poder mágico. As ideias de samsara (transmigração das almas a reencarnações sucessivas) e karma (lei segundo a qual todo ato, bom ou mau, produz conseqüências na vida actual ou nas encarnações posteriores) surgiram nessa época, assim como as especulações filosóficas sobre a origem e o destino do homem. O sistema de castas converteu-se na principal instituição da sociedade indiana, sendo a casta dos brâmanes a mais elevada.A visão bramânica do mundo e sua aplicação à vida estão descritas no livro do Manusmristi (Código de Manu), elaborado entre os anos 200 a.C. e 200 da era cristã, embora também contenha material muito mais antigo. Manu é o pai original da espécie humana. O livro trata inicialmente da criação do mundo e da ordem dos brâmanes; depois, do governo e de seus deveres, das leis, das castas, dos actos de expiação e, finalmente, da reencarnação e da redenção. Segundo as leis de Manu, os brâmanes são senhores de tudo que existe no mundo.

Reformas e seitas

As várias tendências surgidas depois do longo período de elaboração filosófica e de decadência do hinduísmo bramânico produziram, no século VI a.C., o jainismo e o budismo como religiões distintas, embora alguns especialistas as considerem como grandes seitas heréticas do hinduísmo. Vardhaman Mahavira, o Jaina, e Siddharta Gautama, o Buda, seus fundadores, rejeitavam os dogmas védicos-bramânicos e anunciavam a auto-suficiência do homem para uma vida plena. O homem não precisa de um deus para realizar seu destino. A preocupação social do budismo, que condenava o sistema de castas e o monopólio religioso dos brâmanes, transferiu-se mais tarde para o hinduísmo. O renascimento do hinduísmo e a invasão islâmica produzida entre 1175 e 1340, que acabou por impor-se a quase toda a Índia, limitaram a expansão do budismo ao seu país de origem.

Doutrina

As muitas diferenças e divisões doutrinárias produziram enorme diversidade de cultos e de sistemas no hinduísmo. O paraíso hindu abriga 330 milhões de deuses, expressões de um brahman único que encerra em si mesmo o universo todo. Acima de todas as expressões, está a superioridade de Deus, identificado com o antigo mito do primeiro homem, Parusa. O despedaçamento de seu corpo, que produziu o nascimento do universo, é a base da doutrina hinduísta de um Deus simultaneamente criador e destruidor da realidade.O deus universal está acima do panteão de deuses locais, que nem mesmo têm o título de Senhor (isvara). Posteriormente, Brahma foi superado por Shiva e Vishnu, em torno dos quais os demais deuses foram agrupados.




representação cambodiana de Brahma

A coexistência de tantas formas e manifestações religiosas criou os mais extraordinários símbolos: deuses com mil olhos, como Indra, e Kali, que se popularizou principalmente por um de seus filhos, Ganesha, com vários braços e cabeça de elefante.O destino do homem, entretanto, não depende de nenhum desses deuses, mas de seu próprio esforço. O homem pode condenar-se ou salvar-se dos sofrimentos, causados pela samsara, a roda da vida que gira sem cessar, produzindo nascimentos e renascimentos sucessivos. A alma de todas as criaturas (e não somente dos homens) está sujeita a um novo nascimento (punajarman). É a reencarnação sucessiva, sacralização da vida trágica de longos períodos de fome, guerras, doenças e cataclismos. A realidade social é predestinada e em geral desgraçada, mas o karma, a repetição da vida por meio de vários nascimentos, é a esperança de atingir uma casta mais elevada. A salvação consiste na liberação desse ciclo e na fusão final com Deus.
Na cosmologia hindu, Brahma está além de toda acção ou inacção e acima do bem e do mal. A energia latente que existe dentro de Brahma, quando liberada na criação do universo, toma a forma de maya (ilusão), que assim é captada por nossos sentidos. Qualquer universo, como projecção de Brahma, tem a existência limitada a 4,32 bilhões de anos solares. No final desse ciclo, as chamas ou as águas destroem esse universo e maya retorna a Brahma, repetindo-se o processo indefinidamente.

Hinduísmo e casta
Os hindus atribuem carácter religioso a todas as actividades, o que faz do hinduísmo uma ordem social-religiosa que influi directamente na vida toda, desde a moral até a economia e a gramática. De certa maneira, isso supera o pessimismo da desilusão e confere a cada momento da vida uma dimensão religiosa. São imperiosas as obrigações impostas pelo sistema de castas. Actuar de acordo com a casta a que pertence é, para o hindu, consequência da doutrina enraizada na ordem do universo. A ordem social divide as pessoas em castas, assim como a vida se manifesta em
formas inferiores e superiores. O sistema de castas surgiu na Índia com os árias e começou a


desenvolver-se por volta de 850 a.C. Sua origem parece proveniente da divisão entre o imigrante ária, de pele clara, e os nativos (dasya), denominados escravos (dasas), que se distinguiam pela pele escura. Com o tempo, o sistema de classificação evoluiu para o plano político-social-religioso.Em sua estrutura mais antiga, o sistema era constituído de quatro castas: os brâmanes (sacerdotes), os xatrias (guerreiros), os vaixás (burgueses) e os sudras (artesãos).

Cada casta tem suas próprias normas e está rigorosamente separada das outras. Não é permitido o casamento misto, nem a refeição em comum, nem a participação conjunta em actividades profissionais. A quebra de qualquer dessas obrigações implica a exclusão da casta, pelo que o indivíduo fica priva do de todo direito social e se torna um pária, sem casta. Mais tarde esse número aumentou e chegou a mais de três mil castas e subcastas, divisão que ainda influi poderosamente na sociedade indiana, apesar da extinção legal das castas em 1947. Nessa época, o sistema dividia a população hinduísta indiana em cerca de 17 milhões de brâmanes, vinte milhões de membros das outras três castas e mais de sessenta milhões de outras categorias, entre as quais a dos intocáveis (harijans, povo de Deus).

Budismo

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Islamismo

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Judaísmo

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Domingo, 25 de Julho de 2010

O despertar da deusa no século XXI

O princípio feminino na religião, na cultura e na ecologia
Ao largo da história da humanidade o divino interpretado no feminino tem vindo a receber diferentes nomes. O último desses nomes foi Gaia. Outros foram Lilith, Ísis, Deméter, Astarté, ou Maia entre outros…
Como uma corrente dissimulada a devoção pela energia feminina associada há Mãe Terra, sempre esteve presente na nossa cultura, o caso das festividades das Maias em Portugal trazida para a península pelo povo Fenício. O povo Fenício de proveniência Egípcia eram uma ramificação dessa cultura ou seja os navegantes do mediterrâneo, foram a ponte entre esta grande cultura e a nova cultura ocidental do qual Portugal ao largo dos tempos desempenhou um papel muito significativo.
Esta corrente tem uma profunda conexão com a Natureza e os seus ciclos, com as estações e as colheitas e os bioritmos do proprio ser.

Era uma cultura pacifica onde o uso de armas não existia, entre eles reinava apenas estes grande laço de unidade e comunhão com a natureza. Asua presença remonta há origem das religiões e seus mitos á pré historia.
O Arquétipo Feminino emerge de novo com força na actualidade. Da mão da ecologia e da visão holística, esta filosofia eterna volta a sair há luz. Neste caso coberta por um manto verde…


A Europa da grande Deusa

Se observarmos as grandes religiões ocidentais damos conta que temos algo em comum.
A primeira é que está baseada num livro e a segunda que são profundamente masculinas e femininas.
O Judaísmo baseia-se num modelo patriarcal de crenças que o relativo a deus, esta orientada ao masculino e em contra balanço têm a árvore cabalista da vida, o mesmo sucede com o Cristianismo, a Virgem, José e o menino a tríade perfeita. No pré Islão a sua origem zoomórfica também comparte as mesmas raízes.
Foi sempre assim, há uma tendência endémica na nossa cultura de masculinizar deus mas através da arqueologia e dos estudos que se tem realizado no campo da antropologia as evidências demonstraram que nem sempre assim foi.
Existe uma corrente antropológica (Marija Gimbutas, a linguagem da deusa) que nos conta que durante centenas de anos, antes da

chegada dos povos de língua indo-europeia, durante a fase final da idade da pedra e durante toda a idade do Bronze, não foi um deus, se não uma Grande Deusa que reinou na religião europeia.
Obviamente, os primitivos europeus dependiam da terra para satisfazer todas as suas necessidades: alimento, protecção, abrigo, ate ao ponto de identificá-la com a própria vida.


Tinham notado que toda a vida era criada a partir do corpo feminino (tanto mulheres como animais), de modo que encontrarão natural a ideia da existência de uma criadora feminina suprema.
As mulheres nessa altura assumiam cargos de elevada importância eram as cabeças das suas sociedades.
Não duvidamos que com o passar dos séculos este modo de estar foi pouco a pouco modificando-se absorvido e destruído por agressivos invasores outras culturas outras formas de estar, isso dá-se por volta de 3000 AC o fim do matriarcado.

O mito de Ísis e Osíris no Egipto

As velhas culturas e religiões europeias não morrerão da noite para o dia e são facilmente identificáveis ao longo dos tempos, indícios deste culto ao feminino como o de Ísis no Egipto ou Deméter na Grécia ou Diana em Tróia e Évora em Portugal testemunharão esse culto que prolongou ate há entrada da era cristã.
Tomemos por exemplo o relato egípcio de Ísis e Osíris que foi desmembrado cruelmente e que a deusa Ísis tem o poder para que este ressuscite, a mesma historia de forma semelhante foi contada na era cristã nos momentos de crucificação e ressurreição a virgem esteve sempre presente. Destas historias que apenas mudaram de nome mas que na sua essência permanecerão as mesmas o culto há divina representação da terra que é fértil e generosa, dá há luz cada ano uma nova descendência.


Essa não é outra coisa se não os cereais, como o trigo e a cevada cujo jovem grão, simbolicamente Osíris ou Jesus serão ceifados e desmembrados após atingirem a sua maturação, para gerar a transformação alquímica do pão e da cerveja. Mais tarde a sua semente volta há terra para dar origem a um novo ciclo em comunhão com o pai sol e a mãe terra. Se colocarmos a cruz entre um círculo, símbolo bastante representado em diversas culturas este representa os equinócios do ano as quatro estações de um prosesso alquímico tão perfeito como a origem da vida e o sustento para a própria vida, sem comer não há vida sem árvores não há vida sem água e o seu processo de transformação não há vida nos dependemos inteiramente da mãe terra para podermos existir.


Astarté, Salomão e Jerusalém
Outra divindade importante e comparável a Deméter e Ísis foram Astarté. Considerada a mãe dos deuses para os hebreus teve um protagonismo maior durante o reinado de Salomão. Em comparação com as outras divindades já faladas, esta tinha a particularidade de ser a deusa da colheita e dos lugares onde se separa o trigo do joio as eiras tinham uma grande importância religiosa.
Contam os livros antigos que em certa ocasião o Rei David comprou uma eira ao oeste do vale do rio Jordão em que seu sucessor, Salomão construiu um templo muito especial e o fez num lugar consagrado a Astarté. Esse lugar hoje em dia é Jerusalém.
A presença de uma deusa na tradição hebraica também se recorre á figura de Lilith.
Esta personagem feminina era, segundo a tradição a conselheira do deus dos hebreus.
No entanto, os redactores do antigo testamento encarregaram-se de apagar o seu rasto.


A misoginia de Paulo

O cristianismo tampouco ficou isento de desaparecimento do culto da deusa nas suas escrituras.
Das diferentes ramificações do cristianismo, o legado que São Paulo deixou há igreja, chegou aos nossos dias em vagos rasgos da sua misoginia.
Outro factor na masculinização da igreja católica foi durante o ano 325 d.C. quando se deu o concilio de Nicea, varias teorias como a reincarnação e a imortalidade do ser ou outros conceitos mais revolucionários para a forma de pensar em relação ao tempo que se vivia foram completamente retirados dos textos bíblicos.
Por exemplo estabeleceram-se normas no qual as mulheres não tinham qualquer relação com o ministério da igreja.
Instaurou-se a Igreja Romana imperial e entre outras medidas apagou-se todo o feminino, exceptuando uma figura a Virgem Maria. Uma ambígua personagem que já mais a igreja lhe há atribuído o papel de consorcia de deus porque isso lhe conferia o estatuto de deusa.
Se bem que a Virgem ocupou um lugar destacado como intermediaria entre os homens e Deus, a meio caminho entre o divino e o mundano. Esta figura foi muito útil há igreja para dissimular numerosas partes da divina feminilidade herdadas da dama branca.
Mas no entanto outra figura já não teve tanta sorte, esta foi Maria Madalena. Não são poucas as fontes que esta teve um relacionamento com Jesus algumas apontam para uma relação íntima.
Mas o que está claro é que depois da morte de Jesus qualquer referencia há sua relação para com este foi abafada e ela reduzida ao estatuto de prostituta.
O feito de aceitar que o filho de deus teve uma companheira, suponha-se uma retórica teológica que os padres da nova igreja preferirão velar ao público, inferiorizando assim a figura feminina. Eles lá tinham os seus motivos.
Maria madalena convertia-se desta forma na viúva esquecida e ocultavam a sua importância. O escurantismo e a violência exercidos desde as altas instâncias eclesiásticas (não merece a pena recordar aqui os tristes capítulos da inquisição, em que a tortura a muitas mulheres sábias foi o reflexo da tortura ao principio feminino e há própria natureza).

Os ciclos de Gaia
Como não podia de ser de outra maneira, no século XXI, o arquétipo da deusa vem com a inquietação apropriada aos tempos, o pensamento científico.
As sociedades agrárias fundamentavam-se no pensamento mágico religiosa, o arquétipo feminino emergia com um cariz agrícola, relacionado com a fertilidade da terra e das colheitas e com uma linguagem mais próxima ao mito. No nosso tempo, em que a teoria de sistemas e a consciência ecológica são o paradigma emergente, o feminino toma uma linguagem mais adequada em relação ao científico.
Nos nossos dias, em que o despertar do pensamento ecológico, sistémico e holístico que cada um eleja a palavra que mais lhe sirva, é uma necessidade e um feito de se rebaptizar a nossa protagonista com o nome de Gaia (um termo inglês que se coloca em nosso idioma sem traduzir e cujo nome mais apropriado seria Gea). Não é um nome novo, os responsáveis científicos do baptizo foram Lynn Margulis e James Lovelock recorrendo á mitologia grega para baptizar a visão sistemática do planeta.



Segundo as suas teorias, o planeta que habitamos Gaia, é uma entidade que se auto regula, e os seus habitantes com um certo protagonismo especial afectamos ou contribuímos para ela.
O câmbio climático ou a poluição pode ser dado como exemplo dessa teoria.
Em resume Gaia representa hoje a nossa preocupação para com o planeta que habitamos este que nos acolhe e nos proporciona todo o que necessitamos para que possamos existir.
Esta na hora de resgatar estes conceitos, resgatar os princípios femininos sem cair em fundamentalismos feministas que é o que tem vindo a suceder ate agora, mas encontrar novamente o balanço entre os dois lados, sem vivermos em constante confronto de ideias e desarmonia.
Esta na hora de fazer as pazes com a Terra que nos acolhe e quando falarmos do arquétipo feminino já não falemos de religião, seita ou identidade sexual mas sim de uma expressão da psique colectiva e de um assunto tão importante como o entendimento entre o homem e a mulher e o todo que nos unifica.
Por isso resolvemos criar dias específicos para celebrar este conhecimento, são dias de memória e comemoração colectiva. Festejem o dia da Terra da Mãe e da Mulher com o mesmo significado literal porque


são exactamente os mesmos e não há nada de mal em valorizar estes conceitos, porque foram criados para despertar a consciência colectiva da própria humanidade.
Viva a vida mas com esta consciência porque há muito em jogo, e se não o fizermos estaremos a regredir em vez de evoluirmos.
Há muito em jogo faça de si e do mundo um mundo melhor.